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Page 2

H97p

91-0780

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editorcs de Livros, RJ.

Hutcheon, Linda, 1947-
Poética do pós-modemismo: história, teoria, ficção/

Linda Hutcheon; tradução Ricardo Cmz. - Rio de
Janeiro: Imago Ed., 1991.

330p. (Série Logoteca)

Tradução de: A poetics of postmodemism: history,
theory, fictiou.

Bibliografia.
índice
ISBN 85-312-0157-8

1. Ficção - Século XX - História e crítica. 2. Pós-
modernismo. I. Título. 11.Série.

CDD-809.3
CDU - 82.09-3

Page 163

à natureza da redação da história como narrativização do passado e à natu-
reza do arquivo como sendo os restos textualizados da história (um resu-
mo do assunto encontra-se em H. White 1984).

Em outras palavras: sim, a ficção pós-moderna manifesta certa introver-
são, um deslocamento autoconsciente na direção da forma do próprio ato
de escrever; porém, é também muito mais do que isso. Ela não chega ao
ponto de "estabelecer uma relação explícita com esse mundo real que
está além dela", conforme afirmaram alguns (Kiremidjian 1969, 238). Sua
relação com o "mundano" ainda se situa no nível do discurso, mas afunar
isso já é afirmar muito. Afinal, só podemos "conhecer" (em oposição a
"vivenciar") o mundo por meio de nossas narrativas (passadas e presen-
tes) a seu respeito, ou é isso que afirma o pós-modernismo. Assim como o
passado, o presente é irremediavelmente sempre já textualizado para nós
(Belsey 1980, 46), e a intertextualidade declarada da metaficção historio-
grafica funciona como um dos sinais textuais dessa compreensão pós-mo-
derna.

Patricia Waugh observa que a metaficção como a de Slaughterhouse-
Five (Matadouro nQ 5) ou lhe Publie Burning "sugere não apenas que a
redação da história é um ato ficcional, classificando acontecimentos con-
ceitualmente por meio da linguagem para formar um modelo de mundo,
mas que a própria história, como a ficção, é investida de tramas inter-rela-
cionadas que parecem interagir independentemente dos desígnios huma-
nos" (1984, 48-49). Do mesmo modo, a metaficção historiográfica é
especificamente duplicada em sua inserção de intertextos históricos e lite-
rários. Suas recordações gerais e específicas das formas e dos conteúdos
da redação da história atuam no sentido de familiarizar o que não é fami-
liar por meio de estruturas narrativas (muito familiares - conforme aflr-
mou Hayden White - 1978a, 49-50), mas sua auto-reflexividade
metaficcional atua no sentido de tornar problemática qualquer dessas fa-
miliarizações. A ligação ontológica entre o passado histórico e a literatura
não é eliminada (cf. Thiher 1984, 190), mas sim enfatizada. O passado
realmente existiu, mas hoje só podemos "conhecer" esse passado por
meio de seus textos, e aí se situa seu "VÍnculocom o literário.

Assim como a arquitetura e a pintura pós-modernas, a metaficção histo-
riográílca é declarada e resolutamente histórica - embora admita que o
seja de uma forma irônica e problemática que reconhece que a história
não é o registro transparente de nenhuma "verdade" indiscutível. Em vez
disso, tal ficção confirma as visões de historiadores como Dominick LaCa-
pra, que afirmam que "o passado chega na forma de textos e de vestígios
textualizados - memórias, relatos, escritos publicados, arquivos, monu-
mentos, etc." (1985a, 128) e que esses textos interagem de formas com-
plexas. Isso não nega, de forma alguma, o valor da redação da história;
apenas redefine as condições de valor. Conforme vimos, ultimamente a
história narrativa, com sua preocupação "com o curto período de tempo,

-168 -

Page 164

com o indivíduo e com o acontecimento" (Braudel1980, 27), foi questio-
nada pela obra da escola dos Annalcs, na França, entre outras. Porém, na-
turalmente, esse modelo específico de história narrativa era também o do
romance realista. Portanto, a metaficção historiográfica representa um de-
safio às formas convencionais (correlatas) de redação da ficção e da histó-
ria, com seu reconhecimento em relação à inevitável textualidade dessas
formas.

Atualmente esse vínculo formal por intermédio dos denominadores co-
muns da intertextualidade e da narratividade costuma ser apresentado não
como uma redução ou como um encurtamento do âmbito e do valor da
ficção, mas sim como uma ampliação. Ou, se for considerado como uma
limitação - restrito ao sempre já narrado -, ele tende a ser convertido no
valor básico, como na "visão pagã" de Lyotard (1977, 78) em que nin-
guém jamais consegue ser o primeiro a narrar coisa alguma, não consegue
ser a origem sequer de sua própria narrativa. Lyotard estabelece delibcra-
damente essa "limitação" como sendo o oposto daquilo que ele considera
como a posição capitalista do escritor como criador, proprietário e em-
presário de sua estória. Grande parte da escrita pós-moderna compartilha
essa implícita crítica ideológica aos pressupostos que estão por trás dos
conceitos humanistas do século XIXa respeito do autor e do texto, e é a
intertextualidade paródica que constitui o principal veículo dessa crítica.

No Cíipítulo 2, afirmei que as implicações ideológicas contraditórias da
paródia (como "transgressão autorizada", ela pode ser considerada con-
servadora e revolucionária ao mesmo tempo - Hutcheon 1985, 69-83) fa-
zem com que ela constitua uma forma apropriada de crítica para o
pós-modernismo, que já é paradoxal em sua inserção conservadora e sua
subseqüente contestação radical com relação às convenções. Metaficções
historiográficas como Cem Anos de Solidão, de García Márquez, O Tam-
bor, de Grass, ou Midnight's Children (Os Filhos da Meia-Noite), de Ru-
shdie (que tem os dois primeiros como intertextos), utilizam a paródia
não apenas para recuperar a história e a memória diante das distorções da
"história do esquecimento" (fhiher 1984, 202), mas também, ao mesmo
tempo, para questionar a autoridade de qualquer ato de escrita por meio
da localização dos discursos da história e da ficção dentro de uma rede in-
tertextual em contínua expansão que ridiculariza qualquer noção de ori-
gem única ou de simples causalidade.

Quando está ligada à sátira, como na obra de Vonnegut, Wolf ou Coo-
ver, a paródia certamente pode assumir dimensões mais precisamente
ideológicas. Entretanto, nesse caso também não há intervenção direta no
mundo: é a escrita atuando por meio de outras escritas, outras textualiza-
ções da experiência (Said 1975a, 237). (Em muitos casos, o termo inter-
textualidade pode perfeitamente ser muito limitado para descrever esse
processo; talvez interdiscursividade seja um termo mais preciso para as
formas coletivas de discurso das quais o pós-moderno se alimenta parodi-

-169-

Page 325

Smith, Paul, 80, 95, 266
Smith, TIlomas Gordon, 57
Snead,]amesA.,96
Sollors, Werner, 101
SoIomon-Godeau, Abigail, 261, 286
Song of Solomon/ A Canção de SaIo-

mão, 92, 96,172,175,195-6
Sontag, Susan, 25, 75
Sot-weedFactor, The, 172, 174
Spacks, Patricia Meyer, 96
Spanos, William V., 61, 77, 78, 121
Sparshott, Francis E., 184, 191
Spender, Stephen, 73
Spivak, Gayatri, 95, 97
Star Turn/Passeio Estelar, 64, 126,

156,190,238,267,270
Stark, ]ohn, 178
Steinberg, Cobbett, 174
Steiner, Wendy, 182
Stern, Daniel, 23
Stern, Robert, 11,55
Stockhausen, Karlheinz, 44, 127
Streep, Harry, 232
Struever, Nancy S. 130, 153
Studhorse Man, The/O Homem do Ga-

ranhão,181
sujeito/subjetividade, 15,25, 29, 36,

38,66,82,84,85,86,94,~7, 100,
104-5,112,113,-14,115-19,123,
133, 142, 156, 160, 166,203,26,238,
239,240,258,277,283,284,286

Sukenick, Ronald, 33, 63,66, 101,
127,129,201,236,265,266

Sula, 117
Suleiman, Susan Rubin, 20, 35, 61, 94,

230,271
superficção, 15,33,63,78,145,148,

157,183,256
Swan, Susan, 35
Swift, Graham, 13, 34, 82, 89, 156,

162,234

Tafuri, Manfredo, 136,274,284
Tani, Stefano, 40
Tansey, Mark, 182, 285-6
teleologia, ver fechamento
televisão, ver pós-modernismo, na tele-

visão
Tel Quel, 15, 79, 165, 183, 256
Temptations of Big Bear, The/As Ten-

tações do Grande Urso, 34, 115, 186,
193

teoria, ver pós-modenlismo, na teoria
Terra Nostra, 267
Terrible Twos, The/A Terrível Idade de

Dois Anos, 31, 32, 34, 36, 37, 46, 95,
111-12,116,127,131,132,133,141,
142, 152, 157, 164-5, 166, 167-9,
173,177-8,185,197,198,200,201,
214,241,260,269,283,289

Thiher, AlIen, 36, 77, 164, 168, 169,
183

TIlOmas, Audrey, 99, 181
Thomas, D. M., 15,29,86, 115, 156,

181,212-14
TIlompson, Hunter S., 153
Thompson,]ohn 0.,202
Thurley, Geoffrey, 284
Tigennan, Stanley, 21
TinDrum, The/OTambor, 11, 128,

160,169,249,260
Todd, Richard, 68, 77
Todorov,Tzvetan,32,80,146
Tompkins,]ane,145
totalize, 13, 22, 28, 29, 33, 39,46, 65,

71,72,76,82,84,86,87,100,105,
116, 120, 132, 133, 136, 154, 155,
164,210,212,216,223,226,237,
246,253,259,263,270,273,282,
287,289

Toulmin, Stephen, 23
traço, ver Derrida; documento/docu-

mentário
transparência, 105, 125, 141, 168,

212,225,267,275,288
Trenner, Richard, 69,127,170,177,

188,253
TristramShandy, 65, 207, 231
Twombly, Cy, 26

universal, ver humanismo
USA,I77-8

V., 172
van Dijk, TeunA., 113
van Eyck, Aldo, 51
vanguarda, 38,44, 55, 72,225,273,

275,288
Vattimo, Gianni, 23, 198, 243
Vattimo, Gianni, e Rovatii, Pier Aldo,

243
Venturi, Robert, 53
Vidal, Albert, 88
vídeo arte, ver pós-modenlismo, em ví-

~330-

Page 326

deo
Vie en Prose, LaiA Vida em Prosa, 96
Villemaire, Yolande, 96
Volponi, Paolo, 194
Vonnegut, Kurt,]r, 169,246
Vreeland, Thomas, 56

Walkcr, Alice, 92, 99, 175, 253
Wallis, Brian, 289
Walton, Kendall 1.,201
Wars, lhelAs Guerras, 152
Wasson, Richard, 25
Waterland, 13,34,82, 144, 156, 162,

230,270
Watkins, Evan, 35, 73
Watson, Ian, 33, 126, 147-8,234
Waugh, Patricia, 168, 174, 229, 233,

249,260
Weber, Ronald, 154
Weinstein, MarkA., 150
Weiss, Peter, 273
Welcome to Hard Times;Tempos difi-

ceis, 40,149,174
Wesselman, Tom, 28,166
Westem, gênero, 40,172,174,181
Weyne, Paul, 14,82,111,124,143,

148,198
White, I1ayden, 14,32,34,82,121,

12·1, 129, 130, 133-4, 135, 141, 142,
148, 159, 160, 160, 162, 168, 186,
198,244

While Hotel, lhelO Hotel Branco, 15,

29,38,86,114,125,160,205,207,
211-14,215-16,217,218-26,240

White, Morton,130
Wiebe, Rudy, 34, 115, 186, 190,250
Wilde,Alan, 22, 24,40,73, 75, 78,242
Wilde, Oscar, 130
Williams, Brooke, 161
Williams,]ohn,152
Williams, Nigel, 156, 190
Williams, Raymond, 25, 227, 269
Willis, ElIen, 91
Willis, Susan, 92, 96, 97
Wimsatt, W.K.,]r, e Beardsley, Mon-

roe,165
Wittgenstcin, Ludwig, 150, 183, 193
Wolf, Christa, 15,43,68,95,117,127,

130,145,169,24&7
Wolfe, Tom, 48, 53,85, 153,255
Wolff, Christian, 232
Womall Warrior, lhelA Mulher Guer-

reira, 11,64, 100, 102

Yates, Marie, 80
Yellow Back Radio Broke-Down, 174

Zavarzadch, Mas'ud, 66, 85, 198, 239,
244

Zcidler, Eberhardt, 53
Zimmennan, Bonnie, 97
Ziolkowski, Theodore, 26
Zurbmgg, Nicholas, 38, 75

-331-

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